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Na leitura e na escrita encontramo-nos todos naquilo que temos de mais humano

“A escrita, ou a arte, para ser mais abrangente, cumpre funções que mais nenhuma área consegue cumprir. (…) Sinto que há poucas experiências tão interessantes como quando se lê um livro e se percebe “já senti isto, mas nunca o tinha visto escrito”, procurar isso, ou procurar escrever textos que façam sentir isso, é uma das minhas buscas permanentes. Trata-se de ordenar, de esquematizar, não só sentimentos como ideias que temos de uma forma vaga, mas que entendemos melhor quando os vemos nas palavras. Trata-se também de construir empatia: através da leitura temos oportunidade de estar na pele de outras pessoas e de sentir coisas que não fazem parte da nossa vida, mas que no momento em que lemos conseguimos perceber como é. E isso faz-nos ser mais humanos. Na leitura e na escrita encontramo-nos todos naquilo que temos de mais humano.”

José Luís Peixoto, Diário de Notícias, 2003.

 

“As estantes são ruas. Os livros são casas onde podemos entrar ou que podemos imaginar a partir de fora. Há livros que visitámos e há livros onde vivemos durante certas idades, conhecemos cada uma das suas divisões, trancámo-nos por dentro. Fomos jovens durante tantos capítulos mas, de repente, um dia, apercebemo-nos de que restavam cada vez menos páginas entre o polegar e o indicador. Então, protestámos contra a morte, dissemos que os livros de 600 páginas não deviam terminar nunca e, logo a seguir, identificámos o contrassenso da frase. Essa é a desvantagem de ler livros: prestamos demasiada atenção às extravagâncias da sintaxe. Ainda assim, aproveitamos os lucros da nostalgia, stock infinito de tardes de um verão antigo. Éramos tão jovens, e alguém nos acertou com um livro. Olhámos em volta para achar o fantasma que o atirou, está aí alguém?

Quando voltámos ao nosso campo de visão, já estávamos num lugar com parágrafos, a dizer que as estantes são ruas e que os livros são casas, enquanto que os outros, todos eles, diziam que as estantes são estantes e os livros são livros.”

José Luís Peixoto, Regresso a casa, Quetzal,2020

LC

Com palavras criamos textos. Informativos, narrativos, poéticos…

Cada qual tem uma intenção de comunicação diferente. É caso para dizer que vivemos num mundo de palavras vivas. Mas também é verdade que, para juntá-las de modo a escrever um texto com sentido, temos de respeitar as regras gramaticais, nomeadamente as da pontuação, com a finalidade de que os leitores possam entender a mensagem que se pretende transmitir.

Por esse motivo, escolhemos, para esta semana, o “Conto Gramatical”, de Fernando Veríssimo, uma divertida história cujas personagens são os sinais de pontuação personificados.

Sabemos que as palavras são fundamentais para que o leitor compreenda o objetivo da mensagem escrita – seja o de informar, fazer voar a imaginação ou tocar a sua alma, despertando sentimentos e emoções - mas sem a respiração que a pontuação lhes confere nunca tal seria possível.

Sugerimos-lhe a leitura em voz alta do texto que hoje lhe apresentamos e verá que temos razão.

 

 

Conto Gramatical 

 

Era a terceira vez que aquele nome e aquele artigo se encontravam no elevador.

Um nome masculino, com um aspeto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular:  ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito subentendido, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.

O nome gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador para, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o nome, mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos.

Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e para justamente no andar do nome. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a insinuar-se. Começaram a aproximar-se e abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula que nem uma frase simples passaria entre os dois.

Entretanto a porta abriu-se repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos aos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e frases exclamativas. O nome, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois disso, pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar e atirou--o pela janela.

Agora, quem coloca ponto final sou eu. Ou melhor: coloco dois. Um, é para não perder a mania. Outro, é porque isto é um conto rápido, e não uma oração subordinada completiva.

(Texto adaptado a partir de um conto de Fernando Veríssimo)

As palavras existem para serem ditas, para comunicar, para transmitir sentimentos e emoções. Existem, também, para serem LIDAS. E LER é um ato de AMOR! É, precisamente, por esse motivo que nós, os dinamizadores do Projeto “Ler com Amor”, decidimos colocar, na página da escola, um excerto de um texto do escritor português José Saramago, que descreve as palavras com uma beleza, simplicidade e realismo capazes de encantar a nossa alma e fazer-nos refletir acerca da sua força, do seu poder.

“As palavras são boas. As palavras são más. As palavras ofendem. As palavras pedem desculpa. As palavras queimam. As palavras acariciam. As palavras são dadas, trocadas, oferecidas, vendidas e inventadas. As palavras estão ausentes. Algumas palavras sugam-nos, não nos largam: são como carraças: vêm nos livros, nos jornais, nos “slogans” publicitários, nas legendas dos filmes, nas cartas e nos cartazes. As palavras aconselham, sugerem, insinuam, ordenam, impõem, segregam, eliminam. São melífluas ou azedas. O mundo gira sobre palavras lubrificadas com óleo de paciência. Os cérebros estão cheios de palavras que vivem em boa paz com as suas contrárias e inimigas. Por isso as pessoas fazem o contrário do que pensam, julgando pensar o que fazem. Há muitas palavras.”.

José Saramago, Deste Mundo e do Outro, Caminho,1999

“Há muitas palavras.”. Guardemos esta: ESPERANÇA.

À semelhança do ano passado, os dinamizadores do Projeto “Ler com Amor” decidiram dar as “Boas vindas” ao outono, selecionando poemas alusivos à estação, incluindo, desta feita, textos sobre o tema “Pão e vinho”.

            Este ano, surgiu a ideia de divulgar a recolha na página da escola, como forma de homenagear a beleza outonal através da palavra poética, que aquecerá os corações de todos os que a lerem.

 

 

No passado dia 20 de fevereiro, comemorou-se o “Dia do animal de estimação”. Por este motivo, os elementos do Projeto “Ler com Amor” organizaram uma atividade intitulada “(Como) cão e gato” com o objetivo de “homenagear” estes simpáticos e amigáveis animais que fazem parte de muitas das nossas famílias.

 Estiveram presentes na sala de sessões alunos do 3.º ciclo de escolaridade de ambos os edifícios da escola, o respetivo presidente da direção executiva e os professores que acompanharam as turmas.

Contámos, também, com a presença da professora Maria João Brás Martins, que apresentou, de forma brilhante, o livro “A minha história com Bob”.

Merece ainda registo a participação de alunos, que leram textos da sua autoria sobre os animais que, de algum modo, marcaram as suas vidas.

 A todos os, que contribuíram para o êxito desta atividade, o sincero agradecimento do grupo responsável pelo projeto.