Ligações

1 

moodle1

requisicoes_link.png

 place1

At

ementas

 

 logotipo eco escolas

        “A poesia não deixa de ser uma maneira de falar sozinho. Mas a solidão do poeta se comunica com outras solidões e é assim que se estabelece o fluxo da poesia. […] Há um grande número de poetas que são os leitores que gostam de poesia. Só que eles não sabem escrever e a gente fala por eles. Poesia não é coisa do outro mundo.”

                                                Mário Quintana, “A poesia é uma maneira de falar sozinho”, entrevista

Escrever

Se eu pudesse havia de transformar as palavras em clava.
Havia de escrever rijamente.
Cada palavra seca, irressonante, sem música.
Como um gesto, uma pancada brusca e sóbria.
Para quê todo este artifício da composição sintática e métrica?
Para quê o arredondado linguístico?
Gostava de atirar palavras.
Rápidas, secas e bárbaras, pedradas!
Sentidos próprios em tudo.
Amo? Amo ou não amo.
Vejo, admiro, desejo?
Ou sim ou não.
E como isto continuando.

E gostava para as infinitamente delicadas coisas do espírito…
Quais, mas quais?
Gostava, em oposição com a braveza do jogo da pedrada, do tal ataque às
coisas certas e negadas…
Gostava de escrever com um fio de água.
Um fio que nada traçasse.
Fino e sem cor, medroso.

Ó infinitamente delicadas coisas do espírito!
Amor que se não tem, se julga ter.
Desejo dispersivo.
Vagos sofrimentos.
Ideias sem contorno.
Apreços e gostos fugitivos.
Ai! o fio da água, o próprio fio da água sobre vós passaria,
transparentemente?
Ou vos seguiria humilde e tranquilo?

                                               Irene Lisboa