Poema de: António Gedeão
Na voz de: Prof. Eugénia Escórcio
Trabalho apresentado no projeto "Ler com Amor"
Edição de áudio: TV Santo António

 

 

 

Poema da malta das naus
Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do sol.
 
Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo.
Pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.
 
Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das praias,
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.
 
Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me as gengivas,
apodreci de escorbuto.
 
Com a mão direita benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.
 
Meu riso de dentes podres
ecoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.
 
Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.
 
Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
Do sonho, esse, fui eu.
 
O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.

 

António Gedeão

Poema de: Desconhecido
Na voz de: Miguel Caires
Trabalho apresentado no projeto "Ler com Amor"
Edição de áudio: TV Santo António

 

 

Quem vê assim uma árvore
Não diz logo o que ela é,
Não pensa no bem que encerra,
No seu valor não dá fé.


Mas se pensar um pouquinho
Quanta coisa vem à mente
A começar pela sombra
Que tanto bem faz à gente.


É o fruto, que mata a fome
São flores, que nos deleitam;
Entre as suas flores e frutos
Estão ninhos, que enfeitam.


São as folhas que nos curam
De muitas enfermidades;
E o tronco dá-nos a lenha
Tendo outras utilidades.


As árvores são preciosas
Uma riqueza sem par
Tão pouco, às vezes, nos pedem
Para tudo isso nos dar!

Poema de: Desconhecido
Na voz de: Joana
Trabalho apresentado no projeto "Ler com Amor"
Edição de áudio: TV Santo António

 

 

Uma árvore do bosque
chamado um pássaro
Fez o seu testamento:
- Deixa as minhas flores aos tristes,
para colorir as suas vidas.
Deixo as minhas folhas ao vento,
para que dancem com as crianças
numa alegre ciranda.
Os meus frutos, deixo
Aos que cuidam da terra
e dela retiram o seu sustento.
A ti, que tantas vezes
me alegras com as tuas cantigas,
deixo as doces e tenras sementes. 
E que os meus ramos,
quando bem saquinhos,
sejam o fogo que aquece
a morada do pobre.

 

Voz: Pedro Henriques, CEF3

Trabalho realizado na disciplina de Língua Portuguesa.

 

 

O que é um livro? Que tem um livro para nos prender tanto? Talvez algo que, magnificamente, os aproxime de nós. Sim, é isso; os livros são como nós: têm sentimentos, vontades, saberes, temores…
Desafiados a descobrir o que são os livros, o que têm os livros, o que os livros sentem, sabem, querem ou temem, os alunos (127) puseram-se a pensar (e a sentir) e escreveram e escreveram…
Das centenas de frases que criaram, foram selecionadas 88 para o concurso. Dessas, deixamos aqui algumas: as que o júri escolheu e outras que também nos agradaram particularmente e que merecerão ser lidas pela comunidade.

Poema de: Desconhecido

Na voz de: Cristina, 7ºD

Trabalho apresentado no projeto "Ler com Amor".