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Profª Ana Vale

 

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Prof. Rui Duarte

 

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Profª Fernanda Araújo

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Prof. Vanda Pereira

 

Algumas sugestões de Leitura

 

 

 

- Alguns poemas:

(Porque “On ne doit jamais laisser mourir l’enfant qui vit en nous.”

                                                                                            Charles Baudelaire)

 

Um Poema

Não tenhas medo, ouve:

É um poema.

Um misto de oração e de feitiço…

Sem qualquer compromisso,

Ouve-o atentamente,

De coração lavado.

Poderás decorá-lo

E rezá-lo

Ao deitar,

Ao levantar,

Ou nas restantes horas de tristeza.

Na segura certeza

De que mal não te faz.

E pode acontecer que te dê paz…

                                             In Diário – volumes XIII a XVI, Miguel Torga, Dom Quixote, 2011

 

Segredo

Sei um ninho.

E o ninho tem um ovo.

E o ovo, redondinho,

Tem lá dentro um passarinho

Novo.

Mas escusam de me atentar:

Nem o tiro, nem o ensino

E guardar

Este segredo comigo.

E ter depois um amigo

Que faça o pino

A voar… 

                   In Diário VIII, Miguel Torga

 

 

 

Estrelinha

Eu vejo do meu quarto de dormir

uma estrelinha

miudinha

a sorrir…

Mas se o sol é tão grande

e tanto brilha,

a estrelinha

miudinha

é certamente sua filha.

Enquanto o Pai-Sol,

enorme,

dorme,

ela vai passear

todas as noites…

Quando o Pai-Sol acordar,

a estrelinha

miudinha

leva açoites

e vai-se logo deitar.

                      Sidónio Muralha

 

A Menina Feia

A menina feia

tem dentes de rato

e pelos nas pernas

à moda de um cato.

A menina feia

tem olhos em bico

e o seu nariz

pica como um pico

A menina feia,

sardenta, gorducha

não parece gente,

só lembra uma bruxa.

Se fechares teus olhos,

a ouvires cantar,

é uma sereia,

princesa do mar.

Se fechares teus olhos

e chegares pertinho,

ela cheira a rosas

e a rosmaninho.

Se lhe deres a mão,

vês que é de veludo

e tens uma amiga

pronta para tudo. 

                      Luísa Ducla Soares

 

 

E tudo era possível

Na minha juventude antes de ter saído

da casa de meus pais disposto a viajar

eu conhecia já o rebentar do mar

das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido

o rolo das manhãs punha-se a circular

e era só ouvir o sonhador falar

da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida

e havia para as coisas sempre uma saída

Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder de uma criança

entre as coisas e mim havia vizinhança

e tudo era possível era só querer.

                                                  Ruy Belo

A criança que fui chora na estrada.

Deixei-a ali quando vim ser quem sou;

Mas hoje, vendo que o que sou é nada,

Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah! Como hei de encontrá-lo? Quem errou…

A vinda tem a regressão errada

Já não sei donde vim nem onde estou.

De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar

Um alto monte, de onde possa enfim

O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,

E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar

Em mim um pouco de quando era assim.

                                        Fernando Pessoa

 

 

Este ano letivo decorreu, uma vez mais, o concurso de Escrita Criativa para alunos dos 2º e 3º ciclos da RAM, dinamizado pelo projeto Baú de Leitura.

Na Escola Básica com P/E de Santo António e Curral das Freiras participaram muitos alunos, sobretudo, do 2.º ciclo. As dinamizadoras deste projeto na nossa escola agradecem o interesse e participação demonstrados pelos professores e alunos envolvidos nesta atividade.

Muitos foram os poemas e textos em prosa a concurso, mas foram selecionados os trinta melhores que podem ser lidos por toda a comunidade escolar, visto que já se encontram em exposição na nossa escola.

Parabéns a todos os alunos que participaram elaborando os seus textos, e desejamos boa sorte àqueles cujos trabalhos serão avaliados pelo júri do concurso a nível regional. Bem hajam todos!

                                                                                   As professoras responsáveis pelo Baú de Leitura,

                                                                                                 Emília Jordão e Fernanda Araújo

 

Escrita criativa

O Projeto Ler com Amor assinala esta importante efeméride, publicando um  texto alusivo ao livro e ao ato de ler e um conjunto de fotografias que ilustram o seu conteúdo. Como complemento, apresentamos ainda um vídeo sobre a criação do livro.

 

Objetos Leitores

Como o sol ou como a chuva, como os pomares e as searas, os livros são nossas reservas de energia necessária à superação dos dias. Contêm a luz e a água, a doçura fresca dos frutos, o cheiro quente do pão no manancial de palavras que nos oferecem: as que dizemos, as que ouvimos, escrevemos ou lemos ou, simplesmente, guardamos no mais recôndito silêncio de nós.

Não espanta, portanto, que tão grandiosa invenção seja recorrentemente representada por todos os meios, de modo especial pela arte, que a escreve, a pinta e a esculpe, no seu símbolo maior: o livro.

Poderíamos ir à sua procura como tema de estátuas e de quadros que vêm atravessando os tempos e são ainda prova e testemunho do seu inquestionável valor.

O que nos traz hoje, porém, é muito mais simples, mais próximo, familiar e acessível: o livro nos objetos que povoam o quotidiano das nossas vidas e das nossas casas, cumprindo, muitas vezes em simultâneo, funções utilitárias e decorativas.

Lembramo-nos, a propósito, de atividades que desenvolvemos nos últimos natais em que foi possível o convívio físico com os livros e com quem gosta de estar com eles: “A ler com os anjos”, por exemplo. Eram (são) figuras de anjos-leitores expressando sempre o prazer que o livro ou, sobretudo, o ato de leitura proporciona.

Deixamo-los guardados no armário das nossas coleções particulares e vamos agora, por aí, dar uma vista de olhos sobre outras coisas, despretensiosas e ingénuas, que a toda a hora vemos ou de que nos servimos. E se as olharmos com atenção, talvez seja possível percebermos que, à sua maneira, também elas nos trazem a palavra- nossa -de- cada- dia posta à mesa das nossas manhãs.

Eis alguns exemplos:

 

 

 

O Baú de Leitura da EB/PE de Santo António e Curral das Freiras não podia esquecer de comemorar os 47 anos da revolução dos cravos, uma data histórica que nos libertou da ditadura e instaurou a liberdade e a democracia em que vivemos. Comemorar esta data constitui uma obrigação histórica pelo seu significado, simbologia e homenagem que nos merecem todos aqueles que com a sua vida, exemplo e determinação, tornaram realidade os direitos que temos hoje.

Para recordar esta data, foi  feita uma pequena exposição junto à biblioteca de Santo António com trabalhos de alguns alunos, e escolhido o poema de José Jorge Letria “O Dia da Liberdade, 25 de Abril ” no qual este grande poeta português  fala  do dia em que um grito de liberdade ecoou na nossa nobre pátria, Portugal.

O Dia da Liberdade, 25 de Abril

Este dia é um canteiro
com flores todo o ano
e veleiros lá ao largo
navegando a todo o pano.
E assim se lembra outro dia febril
que em tempos mudou a história
numa madrugada de Abril,
quando os meninos de hoje
ainda não tinham nascido
e a nossa liberdade
era um fruto prometido,
tantas vezes proibido,
que tinha o sabor secreto
da esperança e do afeto
e dos amigos todos juntos
debaixo do mesmo teto.25abril

O Projeto Baú de Leitura assinalou o “Dia Internacional da Poesia” e o “Dia Internacional da Árvore” - 21 de março - realizando uma atividade denominada Folhas com Poesia, tendo os alunos desenhado e recortado folhas de plátano em papel de vários tons de verde e construído uma árvore. Esta foi montada junto à biblioteca da escola, no edifício de Santo António, e nela foram incluídas várias mensagens em forma de quadras poéticas, realizadas por algumas turmas do segundo ciclo, visto que as turmas do terceiro ciclo estão a ter aulas online.

Para comemorar esta data foi selecionado um poema de Fernando Namora intitulado “Fazer das coisas fracas um poema” no qual o sujeito poético fala de poesia e de uma árvore.

Fazer das coisas fracas um poema

Uma árvore está quieta,
murcha, desprezada.
Mas se o poeta a levanta pelos cabelos
e lhe sopra os dedos,
ela volta a empertigar-se, renovada.
E tu, que não sabias o segredo,
perdes a vaidade.
Fora de ti há o mundo
e nele há tudo
que em ti não cabe.

Homem, até o barro tem poesia!
Olha as coisas com humildade.

Fernando Namora, em “Mar de Sargaços”

 

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